Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar
O meu olho já é cego
Já não posso enchergar
Nem o brilho do céu imenso
Nem o azul daquele mar
Minha perna já é manca
Já não posso mais andar
Não visito meus amigos
Nem me atrevo a galopar
Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar
A minha mão jaz morta
Nem um garfo a segurar
Eu não como faz 10 anos
Só me alimenta o luar
Eu não vivo faz é tempo
Como é duro meu penar
Mas a morte é minha amiga
Ela há de de ocupar
Com a minha morte hoje
Não sei se posso contar
Mas a morte prometa
Ela deverá chegar
Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar
Escrevo com lágrimas na areia do rio
Pois não há como falar
Minha lingua ela mesmo
Já não pode mais berrar
Acho que a morte me esqueceu
Não há como a perdoar
Se estou vivo é por miséria
Dela nunca me encontrar
Mas ao passo embora lento
Ela um dia vai chegar
E nesse dia então
Eu poderia descansar
Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar
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