quinta-feira, 8 de maio de 2008

Na beira do rio

Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar

O meu olho já é cego
Já não posso enchergar
Nem o brilho do céu imenso
Nem o azul daquele mar

Minha perna já é manca
Já não posso mais andar
Não visito meus amigos
Nem me atrevo a galopar

Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar

A minha mão jaz morta
Nem um garfo a segurar
Eu não como faz 10 anos
Só me alimenta o luar

Eu não vivo faz é tempo
Como é duro meu penar
Mas a morte é minha amiga
Ela há de de ocupar

Com a minha morte hoje
Não sei se posso contar
Mas a morte prometa
Ela deverá chegar

Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar

Escrevo com lágrimas na areia do rio
Pois não há como falar
Minha lingua ela mesmo
Já não pode mais berrar

Acho que a morte me esqueceu
Não há como a perdoar
Se estou vivo é por miséria
Dela nunca me encontrar

Mas ao passo embora lento
Ela um dia vai chegar
E nesse dia então
Eu poderia descansar

Sentando na beira do rio
Escrevi à morte o meu desejar
Que um dia espero mesmo
Que finde num instante o meu penar

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